domingo, 19 de julho de 2009

Amigos?

Não é de hoje que eu venho sendo muito intolerante com algumas questões que envolvam amizade e respectivamente o pacto de fidelidade, nas relações. Sempre fui da opinião que eu sou acima de tudo melhor amigo que amante! Ou seja, minha amizade é algo muito mais preciso, exatamente por estabelecer uma condição de pacto próprio.

Nestes últimos tempos percebi uma falha muito séria, no meu ponto de vista, que tem me intrigado gradativamente. Meus amigos não me ouvem! Eu me tornei uma espécie de muro de lamentações, onde todos correm quando precisam, falam, choram, desabafam, e pedem conselho, companhia, abraços.... mas basta eu dizer um “a” sobre a minha vida, que automaticamente eles saem correndo....

Assim como Édipo fura seus olhos, para não lidar com a verdade. Meus amigos não tratam com profundidade aquilo que pertence ao meu discurso. Penso, será que me tornei chistoso demais? Supérfluo? Ou Insignificante? Sei que grande parte, considera minha vida perfeita! Tenho recebido feedbacks ao estilo “nossa, você não tem com o que se preocupar!”, “você sempre consegue o que quer”, “nunca está solteiro !”, e pior “nunca se decepciona em relações afetivas”. Pode até ser que haja meias verdades em tudo isso. Mas o que não é de praxe necessariamente, será que eu me tornei tão prolixo, a ponto de desviar a atenção apenas para a minha imagem?

Às vezes, sinto que me tornei bidimensional, porque parece que não sou visto em 3D, e me chateia um pouco. Uma grande pessoa que fazia parte da minha vida, me excomungou. Pois é! Eu a perdi para a religião, e como não se bastasse tive total impedimento de falar, a ponto de ser considerado um tremendo pecador! (?) Pode parecer engraçado, mas isso foi uma baita decepção. Tivemos memórias, histórias, viagens, tudo aquilo que faz parte até da minha história de vida, e de repente, sem mais e nem menos precisei jogar todas as lembranças descarga a baixo... (de que adianta dizer que me ama!?)

Amigas se divorciam, e correm a me chamar! Pedem até que eu assuma seus casamentos fracassados. E eu me pergunto desde quando eu me tornei durepox? (não penso em casar, todos sabem! Porque eu deveria assumir o erro alheio?)

Quantas vezes emprestei minha carapuça para esconder, proteger e tampar grandes gaps? Ou seja, a minha premissa de vida é realmente otimista, mas não supérflua!

Alguns devem perceber que eu me afastei. Foi uma forma proposital que eu encontrei para não servir apenas como muro de lamentações. Penso que se me consideram tão explicito, desencanado, descompromissado com a vida. Quais bons exemplos eu poderei dar?


Acho que tudo isto faz parte do preço ao qual eu pago ser alguém tão livre de preconceitos, conseguir direcionar minhas idéias, realizar os meus desejos e dizer exatamente o que preciso dizer (sem me preocupar com julgamentos). Estar resolvido com as coisas que tangem o universo (principalmente o meu em particular) dis(a)traí muita a percepção alheia.