O embalo da noite é o mesmo o de sempre.
Notas amadeiradas pelo ar, disputando espaço com outras fragrâncias
O aroma do Marlboro misturado ao cheiro de maquiagem, em pleno frescor do orvalho.
O suor está no seu ponto mais frio, o corpo quente, totalmente dançante, saltitante, disposto e agitado.
O olhar está cerrado, muito mais que um bêbado ambulante.
Os pulos já não são mais os normais, meu comportamento entorpecido forma uma espécie de amor próprio. Um sentimento unilateral e autosuficiente.
É narciso se vendo no espelho, sorvendo o pó em pleno declame da sua própria imagem.
As batidas daquela – que seria a minha canção – invadem a pista. Não, não é possível!
Neste momento masturbatório eu exijo o abraço e o calor de alguém.
Consigo aspirar, desejar, auto-entorpecer. E o beijo amargo de uma companhia química se instala, anestesiando minha gengiva juntamente com o meu peito.
Deste e outros, que vejo que ninguém da pista é páreo para mim! Minha vibe é preciosa e está longe de qualquer tipo de vibração.
Com a música na pickup sinto a que a letra da canção é forte, é angelical, mágica.
Sinto as palavras saltarem dos acústicos, atingirem o meu corpo.
São letras, vocais e interpretações que rodeiam minha mente e envolvem minha alma.
Aponta para um mundo que nenhum outro consegue ver, exclusivamente pela magia
Nestas horas agarro a boceta de Bowie, ela é meu amuleto da sorte.
Sagrado, profano e capaz de se tornar um affair Freudiano.
