Não há nada mais clichê que o dia dos namorados! Como eu pude ser clichê em 5 anos? [lacuna triste da verdade humana]
Após vários anos sem sentir qualquer manifestação de angústia, estou eu cá, vivendo e respirando por uma data festiva e comercial.
Talvez tudo seja culpa do feriado que o anteceda, reconheço e assino embaixo, sim é culpa dele sim!
O meu dia dos namorados foi excelente produtivo, e muito interessante, pude sublimar do início ao fim, ou seja, minha libido foi desviada para o meu usufruto narcísico, houve-se tudo cupidos, rosas, versinhos, e o melhor de tudo o meu próprio pedestal corporativo.
Não entendi que mal fiz para Zeus, mas percebi que a fúria de Eros foi dinâmica incessante e determinadora. A semana que se antecipou, tive vários recados de investimentos sobre tudo olhares, roçadas, indiretas, abraços afetuosos, beijinhos carinhosos, trocadilhos, até vi a perda da respiração (essa foi a melhor de todas!) enfim, de tudo foi feito para ganhar a minha atenção e principalmente ao meu coração.
Não irei dizer que o meu id não se gamou de nenhuma delas, pois houve realmente uma que chamou muito a minha atenção. E quando Eros pensou que tivesse me pego, eu lhe mostrei o quanto eu sou homem e páreo para não me disponibilizar para qualquer pessoa que esteja há anos luz da minha essência.
Eu me deixei tornar careta, e idiota, mas fiz questão de enxugar toda idiotice e me colocar em forma em prol dos meus objetivos. Eu não quero alguém simplesmente, quero “um” alguém! Na distância e no aconchego certo.
Resisti, respirei, sublimei! Já não tenho mais 18 anos para me aventurar em histórias fabulosas de prédios bizarros da paulicéia. Um troféu para o meu ‘eu’ nessa fase! [um menino bravo, potente e muito corajoso!]
Hoje com certeza colho frutos de um investimento racional e que pode me gerar quem sabe frutos afetivos em ordens que não sejam exatamente recíprocas. Assumo que eu sou feito de amor, mas isto não signifique que o meu amor esteja na prateleira, ou em oferta.
De guardião dos relacionamentos eu me tornei guardião da pista. Minha função é não deixar a música parar, aquilo que se estenderá será plena miragem. A fase é única de apre(ensão)! Apenas fatores fenomenológicos estão autorizados a serem subversivos.
